Minhas Mulheres e Meus Homens

minhas-mulheres-e-meus-home2Editora Objetiva, 1999 (relançado pela Editora Planeta em 2012)
Prefácio de Marta Góes

IMPRENSA Mario Prata reúne seus amigos em novo livro (Estadão, 02/08/1999)
♦ Baú de "causos" (VEJA, 22/09/1999)

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Cultura, Saraiva, FNAC, Travessa, Livraria da Folha, Amazon

Grande honra fazer a orelha de quem, literalmente, fez as minhas – afinal, Mario Prata, o escritor cuja vida se desenrola nas 272 páginas deste livro, é, entre várias outras coisas, meu pai. É por conta dessa proximidade, aliás, que posso dizer sobre a presente obra o mesmo que a maioria das pessoas nela perfiladas afirma sobre mim: “vi nascer”.

Minhas Mulheres e Meus Homens foi gestado e parido no quarto em frente ao meu, no apartamento 103 da Alameda Franca, 732, onde moramos entre 1994 e 1999. Surgiu de uma ideia simples e deliciosa, como tantas outras tidas pelo cara que vivia do lado de lá do corredor: pegar sua agenda telefônica e escrever um verbete para cada amigo ou conhecido que tivesse uma boa história a ser contada. (A agenda era impressa no computador, não mais do que 20 folhas grampeadas, fonte Arial 10, com capa e contracapa verdes e o título, pouco original, mas sem dúvida eficiente: “Telefones”.)

Na primeira edição de Minhas Mulheres e Meus Homens, em 1999, os personagens apareciam em ordem alfabética, como na agenda. Agora, estão em ordem cronológica, escancarando o que já se vislumbrava, lá atrás: trata-se de uma autobiografia disfarçada. Trata-se, também, de uma bela crônica histórica e social: acompanhando a evolução do garoto interiorano que vem para a cidade grande ser bancário e termina um escritor consagrado, testemunhamos a revolução dos costumes; do surgimento da pílula à itervenção do Viagra, das primeiras viagens espaciais aos cliques no cyberespaço. No meio do caminho, há pessoas desconhecidas fazendo coisas extraordinárias e gente famosa em situações incomuns – a vedete que abandona a cidade de Lins, e, como vingança contra a mentalidade tacanha, decide mostrar os peitos no coreto da praça, com hora marcada; Vinicius de Moraes jogando War, às seis da manhã.

Ao terminar de ler este livro, tenho certeza de que o leitor sentirá a mesma vontade que eu: de mandar um e-mail ao autor, pedindo a continuação, com todos os personagens surgidos de 99 pra cá. Foi o que, aproveitando minha estratégica proximidade, eu fiz. Disse-me ele que, embora não haja nada garantido, tampouco está descartada uma versão ampliada, qualquer dia desses. Quem sabe, aí, eu possa preparar uma segunda orelha, e, não literalmente, mas ao menos literariamente, retribuir-lhe essas duas que, entre tantas outras coisas, ele me deu.

P.S. Devo dizer, em minha defesa e em defesa do livro, que nas bolas divididas entre a veracidade dos fatos e o sabor da narrativa o autor nem sempre ficou com a primeira opção. Assim sendo, quando passar por um topless e uma pizza estragada, em Angra dos Reis, na página 166, releve.

Antonio Prata
Jornalistax

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