Teria eu colocado uma bomba no avião?

inicioO fato aconteceu há um mês, mas só esta semana fiquei sabendo que eu fui confundido com um possível terrorista prestes a explodir um avião com mais de cem pessoas dentro.

Foi assim: o Filippelli meu velho (no bom sentido e no outro, também) amigo veio me visitar aqui na ilha. Depois de um belo fim de semana com vinho paraguaio (comprado por ele), pegamos um voo para o Rio de Janeiro. Nós dois.

O avião fazia escala em São Paulo e eu não estava me sentindo bem durante a viagem. Deve ter sido o vinho. Estava indo para o Rio para uma reunião, mas achei melhor descer em São Paulo. Não estava nem um pouco disposto a discutir um contrato, naquele estado. Como levava apenas uma malinha de mão, desci. O voo seguiria em seguida. Só que eu não avisei ninguém da companhia aérea.

Vários passageiros descem em São Paulo e outros embarcam. Fecham a porta e o avião não sai do lugar. As aeromoças (desculpe, comissárias de bordo) andando pra lá e pra cá, contando um a um os passageiros. O Filippelli não se toca. Os passageiros começam a ficar impacientes, olham nos relógios.

Negócios a tratar no Rio, dia útil.

O comandante conversa com a torre, com a companhia aérea e, pelo alto-falante, dá o aviso-ordem: todos os passageiros devem descer. Todos. E as malas serão retiradas de dentro do avião, a aeronave vai ser revistada e todas as tralhas de mão deverão descer também. Princípio de quase pânico lá dentro. Uma bomba!

Só aí que o Filippelli se toca e fala com a aeromoça (desculpe, de novo).

Ela fala que são ordens da Polícia Federal. Alguém desembarcou em São Paulo (com destino ao Rio) e pode muito bem ter deixado uma bomba dentro da mala.

O Filippelli vai até a cabine. Está a maior discussão lá dentro entre os rádios. Ele pede licença (é muito educado) e diz que sabe quem foi que desceu. Isso não importa. O Filippelli já começou a achar que já desceria algemado, como cúmplice, suspeito e exilado como foi nos anos 70.

Foi quando o meu amigo resolveu dizer o meu nome e – felizmente – o comandante já havia lido alguma coisa minha (como vai ler mais esta). Novas negociações com a torre e a polícia. A empresa confirma o meu nome. Cem pessoas me xingam e o voo parte para o Rio com 50 minutos de atraso.

Estou contando este caso por dois motivos: primeiro por ter descoberto que eles cuidam mesmo da segurança dos seus passageiros. Viajarei mais tranquilo agora e prometo não descer mais antes do meu destino, para não atrapalhar o destino dos outros. E, em segundo, para pedir desculpas a todas aquelas pessoas.

Ah, o voo era pela Gol. Desculpem lá.

E se o Filippelli não estivesse no voo, hein?

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